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quarta-feira, junho 5

Vida sem valor... Para alguns.

O texto abaixo é pura ficção e qualquer semelhança terá sido mera coincidência.

SITUAÇÃO 1 – Na estrada:
- Alô, polícia. São 10h da manhã e estou trafegando pela Rodovia Marechal Rondon e me deparei com animais na pista. O fluxo de veículos está enorme e há possibilidade de graves acidentes.
- Me desculpe meu senhor, mas não é nossa função cuidar disso. O senhor deve ligar para o XXX e informar sobre o ocorrido.
- Mas, eu estou dirigindo, não posso usar o celular e, por sorte, passei ileso pelo local. O Senhor não poderia acionar o órgão competente?
- Sinto muito meu senhor, mas não é de nossa alçada. Será que o senhor não poderia expulsar os animais da pista?(?)

SITUAÇÃO 2 – Na rua:
- Alô, polícia. São 20h30 e estou aqui na Rua da Vitrine, esquina com a Avenida Brandão. Tem uma pessoa caída ao chão se debatendo de convulsão. Creio que ela está tendo um ataque epilético. Poderia enviar uma viatura para esse local?
- Sinto muito meu amigo, mas estamos sem condições de deslocar alguém nesse momento. O senhor não poderia perguntar a essa pessoa se ela, de fato, quer ser ajudada?
- Alô bombeiros, estou aqui na Rua da Vitrine, esquina com a Avenida Brandão. Tem uma pessoa caída ao chão se debatendo de convulsão. Acho que é um ataque epilético. Poderia enviar uma viatura para socorrê-la?
- Sinto muito meu amigo, mas estamos sem condições de deslocar alguém nesse momento.

SITUAÇÃO 3 – No hospital:
- Senhora, estou numa situação de emergência. Meu irmão tem pressão alta, está passando mal e parece ser um ataque cardíaco. Por favor, chame o médico com urgência.
- Por favor, aguarde um instante senhor. Preciso antes verificar a sua carteirinha do convênio, se está em dia e se o contrato prevê atendimento emergencial.
- A senhora não ouviu o que eu disse? Ele está tendo um ataque cardíaco.
- Sinto muito, senhor, mas são as normas da casa e eu não posso desrespeitá-las.

Se você já vivenciou ou fez parte de uma das cenas acima, não se preocupe. Não é exclusividade sua.
A vida do ser humano perdeu o valor frente a uma série de outros fatores considerados mais importantes pela sociedade.
Na situação 1, a distância é a principal arma do negligente. A falta de compromisso de profissionais que estão melhor capacitados para essas situações, banaliza a vida humana. Nem ao menos se mostram comovidos com o fato ou se interessam em auxiliar. É mais simples renunciar e alegar que “não é comigo”.
Na situação 2, de um lado, o receio da violência faz as pessoas valorizarem a própria segurança e, mesmo dispostas a ajudar, as dificuldades encontradas acabam sendo maiores que o sofrimento alheio. Do outro lado, por menor que seja a dificuldade, torna-se o caminho mais fácil para se livrar de compromissos, uma vez que não produzem perigo a si próprio.
Na situação 3, o fato é ainda pior. Predomina o capitalismo, o lucro acima de qualquer condição. A vida humana é relegada ao segundo plano e a prioridade é a garantia de que a instituição não terá prejuízo. “Vale mais a garantia do meu trabalho que a vida do paciente”.

A maioria deve concordar que o aparato público instituído para essa finalidade está sucateado, defasado e abandonado pelos governantes. Mas, abrir mão de auxiliar o próximo não é a melhor maneira de protestar contra o sistema.
As instituições privadas também vivem sob a pressão do mercado e dos acionistas. Pregam a qualidade e a preocupação com os clientes, mas pecam no cumprimento da promessa. Caem por terra a missão, visão e valores das corporações. É o capitalismo a frente do comunitário.
É fato que a convivência social, os valores morais e éticos estão se perdendo. Não devemos ser coniventes com isso. Salários baixos, falta de perspectiva, estímulo ou frustração com a carreira não podem servir como pretexto para deixar que nossos semelhantes padeçam de prejuízos físicos, psicológicos ou financeiros. Nascemos para servir e só nos sentiremos plenos quando percebermos que cumprimos nossa missão.
Um pouco de bom senso pode amenizar esse quadro e tornar a convivência humana mais harmoniosa.


Vorlei Guimarães 

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